Sawad-dee ka! สวัสดี!

É Tailândia… por que você fez isso comigo? Como se não bastasse o sofrimento por ter deixado o Brasil pra trás há quase 2 anos, arrumei mais um motivo pra ficar com o coração apertado.

A primeira vez que botei os pés nessa terra, não conhecia ninguém que tivesse viajado pra cá. Nenhuma alma para me dar uma dica, pra me alertar: cuidado, você vai se apaixonar profundamente. A ideia era passar um mês, e fui embora depois de 3 meses sabendo que não tinha dado nem pro começo.

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Depois de “convencer” meu amigo a se casar comigo, mudarmos de vida e colocarmos uma mochila nas costas pra viajar o mundo, rodamos meio continente africano… até que a Tailândia chamou novamente.

Chegamos como quem não quer nada, pra passar uns 3 meses talvez… que se transformaram em 7, que se estenderam por mais 3… Pronto, agora são dois viajantes dividindo a sofrência de deixar essa terra dos sorrisos pra trás, depois de 1 ano muuuito bem vivido nesse canto do mundo.

Aqui aprendemos que gratidão pode ter outro sentido. Aprendemos a agradecer diferente também, juntando as mãos ao peito e nos curvando. E aprendemos que se curvar, em agradecimento ou na vida, não é se diminuir. É ser mais leve, mais humilde, mais humano.

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Aqui aprendemos que religião no fim das contas é tudo a mesma coisa. Mas pode ser tão diferente… Não nos tornamos budistas, mas compramos flores toda semana pro Buda lá de casa. Não lembro a última vez que entrei em uma igreja, mas perdi as contas de quantos templos entramos, simplesmente pra contemplar, sentir a paz ou o cheiro do incenso.

Descobrimos que, para além da religião, o povo tailandês tem uma forte espiritualidade. Alguém furou sua fila ou levou uma fechada no trânsito? Segue o fluxo.

Aliás, “fluxo” e “trânsito” não deveriam estar na mesma frase. Todas as horas somadas que perdemos no trânsito de Bangkok deveriam ser suficientes pra gente detestar esse lugar. Mas a gente segue amando.

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Além do trânsito, ainda tem os taxis. Não precisa viajar muito pra saber que isso é problema em meio mundo… mas aqui ninguém se aborrece, e nossas tentativas de discussão muitas vezes acabaram em um sorriso e até uma gorjeta. A gente achou que passaria alguma credibilidade ao aprender a falar o nosso endereço sem ter que mostrar no mapa, mas não adiantou muita coisa…

A propósito, quando aprendemos a pronunciar o nome da nossa rua e ninguém mais riu da nossa cara, foi quando nos achamos “OS TAILANDESES”. O nome é Ngam Wongwan.  Ser turista na Tailândia é uma coisa, morar aqui é outra completamente diferente…

É você ir num bar, encontrar o cardápio todo em tailandês (sem foto) e apontar pra mesa do lado pra pedir uma cerveja. E quando você acha que vai pra casa de estômago vazio, o garçom vem sorridente te oferecer flênchi flái (french fries).

Menu - Carta de Amor Tailandia-1

Falando em cerveja, aqui você aprende a bebê-la com gelo e aceita que cerveja aguada nem é tão ruim assim, vai…

E falando em cerveja de novo (a gente nem gosta!), vamos embora sem entender por que grandes estabelecimentos como Seven Eleven não vendem cerveja das 14h às 17h. Ouvimos algumas possibilidades, mas nenhum thai nos confirmou o real motivo.

Mudando rapidamente de assunto, tem outra coisa que não conseguimos entender direito: a adoração de todo o povo tailandês pelo seu Rei. Viemos de um país onde, ultimamente, é capaz de fazerem festa pra qualquer governante que morrer. Mas aqui vimos um país inteiro chorar e permanecer de luto por um ano. Ditadura, fanatismo, respeito… chame do que quiser. Os tailandeses têm acesso à informação e definitivamente não vivem à sombra da ignorância ou da repressão.

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Ainda sobre peculiaridades da Tailândia: quem já veio aqui e nunca comprou nadinha em uma Seven Eleven, pode voltar agora. Uma em cada esquina, com tudo que você pode precisar (ou não) na vida. Perdi as contas de quantos almoços por 27 baht (R$2,70) essa lojinha nos proporcionou. Sofrimento maior é abrir uma bem no nosso prédio justo na semana que fomos embora.

Knack Market Jam Factory 2

Ainda assim, não perdíamos a oportunidade de ir ao mercado, principalmente depois que descobrimos que todo dia às 14h, todos os funcionários paravam pra fazer dancinha coreografada ao som de “Because I’m happy…”

Mas o melhor mesmo era ir às feiras locais. Não só pra comprar, mas pra observar o perfeito equilíbrio no meio de tanto caos: barraquinhas formam um labirinto e praticamente bloqueiam a entrada de lojas. Todos vendem e vivem muito bem, obrigada.

Mercado de Rua em Bangkok

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Fato é que nos acostumamos a encher a geladeira com legumes por menos de 20 reais, e qualquer valor acima disso já consideramos um absurdo (imagina voltar pro Brasil). O melhor frango frito era o dali da esquina! Até o Caio ver um rato passando bem do lado da bacia do frango, que ficava na calçada… desistiu de comprar não sei porquê.

Não sei porquê mesmo, já que iremos embora sem nenhuma dor de barriga pra contar história! Mas com uma coleção de lembranças de briga de ratos, ratos encarando gatos… certeza que 1/3 da população de barata do mundo vive aqui. Eu odeio barata. Mas eu amo a Tailândia.

Eu amo tanto a Tailândia, que mesmo depois de ter achado as praias das Filipinas muito mais lindas que as tailandesas, eu ainda prefiro as da Tailândia. E eu não vou nem entrar na questão da beleza das praias tailandesas que atraem tantos turistas. Porque, no final das contas, mergulhei em várias, mas morei a maior parte do tempo em Bangkok – e, diga-se de passagem, minha cidade preferida é Chiang Mai!

Ilhas Phi Phi - Barco

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Eu poderia escrever mais o triplo de parágrafos sobre a Tailândia e ainda seria pouco, mas acabei de me dar conta que nunca escrevi uma declaração de amor tão longa.

Tailândia, pode ficar com meu coração, mas deixa eu levar minhas pernas porque ainda tenho muito chão pra rodar. Daqui a pouco a gente se encontra de novo.

Por tudo que você me proporcionou: obrigada, ขอบคุณ, khob khun ka.

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