A cidade de Yogyakarta é o centro cultural e a alma da ilha de Java, na Indonésia. Atendendo também pelos nomes de Jogjakarta, ou simplesmente Yogya/ Jogja, ela tem um ritmo mais lento e relaxado, bem diferente da capital Jakarta ou de qualquer outra cidade grande.

Nos 2 dias que estivemos em Yogyakarta, percebemos que a cidade soube manter muitos de seus costumes e tradições ao longo dos séculos. Descobrimos também coisas interessantes, como lá ser o único lugar do país onde o governo é liderado por um Sultão.

Yogya foi nossa porta de entrada na Indonésia e não poderíamos ter sido recebidos de melhor forma: encontramos um monte de gente simpática, comida boa e um monte de lugares interessantes.

Na verdade, descobrimos que há muito mais o que fazer em Yogyakarta do que imaginávamos. Nossos dias acabaram sendo um pouco corridos e cansativos, então resolvemos mostrar aqui as principais atrações de Yogyakarta para você conhecer mais sobre esse lugar e programar sua viagem para lá.

Yogyakarta

O que fazer em Yogyakarta: 10 atrações imperdíveis

Prepare-se para uma imersão na cultura javanesa. A cidade é muito famosa pela arte do batik, uma pintura tradicional da Indonésia (mais no final o post), mas a quantidade de templos e pontos de interesse em Yogyakarta vão te deixar ocupado por muito tempo! Veja aqui o que fazer na cidade mais interessante de Java:

1. Assistir ao nascer do sol no Templo Borobudur

Bem vindos ao maior templo budista do mundo – e eu não sabia dessa informação até pouco antes de chegar aqui!

Ele se destaca como um dos maiores monumentos religiosos do sudeste asiático, junto com Angkor Wat no Camboja e Bagan no Myanmar.

Nós já estivemos nesses outros dois lugares e eles são realmente impressionantes. Porém há uma diferença: tanto Angkor Wat como Bagan são na verdade um grande complexo de templos. Já Borobudur é um único templo, lindo e grandioso!

Yogyakarta
Templo Borobudur
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Monge no Templo Borobudur

Outra coisa que me intrigou: pelas nossas andanças pelo mundo, facilmente encontramos pessoas que visitaram Angkor Wat ou Bagan. Porém pouquíssimos viajantes que conhecemos vieram até o Borobudur em Yogyakarta. Não consegui entender por que, se o Borobudur é um templo tão maravilhoso quanto os outros!

Mas vamos falar um pouco dele: o templo consiste em 6 terraços quadrados e 3 circulares, formando uma pirâmide enorme com 9 níveis, 504 estátuas de Buda e mais de 2 mil painéis esculpidos. Vale a pena perder um bom tempo observando esses painéis, eles são simplesmente maravilhosos.

No topo encontramos 72 estupas no formato que lembra um sino, cada uma com uma estátua de Buda. A vista lá de cima é linda, dá pra avistar os vulcões Monte Merapi e o Sundoro Sumbing se o tempo estiver bom.

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Estupas do Templo Borobudur

A forma mais comum de visitar esse templo é em um tour saindo de Yogyakarta, que fica a 42km de distância. Alguns tours combinam a visita ao Templo Borobudur com o Templo Prambanan (veja a seguir). Dá pra ir por conta própria, saindo de ônibus de Yogyakarta em uma viagem que leva cerca de 1 hora e meia.

Muitas pessoas acordam cedo pra assistir ao nascer do sol do Borobudur. Nós madrugamos e fomos até o Setumbu Hill, um morro de onde você tem uma vista do alto de todo o templo. Mas o dia amanheceu com muita neblina e não conseguimos ver nada 🙁

O ingresso custa 325 mil rúpias, certamente o templo mais caro que já visitamos em nossas viagens. Há a opção de comprar um ingresso combinado com o Templo Prambanan, que custa 520 mil rúpias.

2. Assistir ao pôr do sol no Templo Prambanan

Considerado um dos mais bonitos, maiores e mais altos templos hindus do mundo, Prambanan é na verdade um complexo que já teve mais de 200 templos e hoje em dia restaram apenas alguns.

O Prambanan foi construído entre os séculos 8 e 10, quando Java estava dividida entre as religiões hindu ao norte e budista no sul. Com o tempo, as duas religiões passaram a conviver e isso se refletiu na mistura de traços budistas e hindus que podemos ver em alguns dos templos.

O Templo Prambanan sofreu danos com terremotos e com a depredação causada por pessoas devido a fanatismo religioso. O complexo principal permanece fechado para restauração, mas dá pra visitar e ver bastante coisa por lá.

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Ruínas do Templo Prambanan

Esse templo fica a uns 20 minutos a leste de Yogyakarta e a melhor maneira de visita-lo é fechando um tour, de preferência para pegar o pôr do sol por lá. Uma alternativa é combinar a visita a esse templo com o Borobudur em um único tour.

Nós visitamos o Prambanan já no final da tarde, com a intenção de ver o pôr do sol de lá. Mais uma vez, o tempo não colaborou com a gente, mas a visita vale independente disso.

A entrada custa 325 mil rúpias, ou pode ser combinada com o Templo Borobudur por 520 mil rúpias.

3. Passear pelas ruas de Kota Gede

Kota Gede era uma antiga vila, que foi cercada pela cidade de Yogakarta. O local se mantém famoso por ser um dos principais centros de artesanatos e artes de Yogya, sendo que o forte de lá é a prata.

A sensação é de que estamos andando em um vilarejo dentro da própria cidade. Kota Gede tem um clima bem gostoso para caminhar pelas suas ruas estreitas, que vão dar em um pátio onde podemos observar artesãos trabalhando ali mesmo nas calçadas e na porta de suas casas, que servem como ateliês.

Muitos turistas aproveitam a visita à Kota Gede para tentar fazer sua própria peça de prata, em um dos workshops oferecidos. Como nem eu nem o Caio temos a menor habilidade, nem tentamos!

4. Ir até o Monte Merapi

Indonésia é um dos melhores destinos de viagem para quem quer chegar perto de um vulcão. E o Monte Merapi é o mais ativo deles, sendo sua última erupção em 2010. Dizem que o cenário era bem verde antes, mas hoje o que se vê é algo que deve parecer com a superfície da lua.

O alcance das lavas chegou a 13km de distância na velocidade de 110km/h, além das cinzas e dos gases que se espalharam ainda mais. Foram 353 vítimas no total.

Hoje em dia é possível fazer uma visita relativamente segura ao vulcão. Embora seja possível fazer um trekking para chegar ao topo, o passeio mais procurado chama-se “Lava Tour”, feito em um jeep.

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Foto: Stefan Magdalinski / CC BY 2.0

Nós não fomos ao Monte Merapi porque não tínhamos mais tempo em Yogyakarta, e acabamos não priorizando esse passeio pois matamos nossa vontade de vulcão com uma visita ao Monte Bromo e o Monte Ijen.

Mas o que nos falaram é que é preciso um pouco de disposição para encarar a viagem, que é uma verdadeira aventura se você considerar o tanto que sacode e pula no jeep. Você pode escolher o tempo de duração do passeio, que costuma variar entre 1.5 e 3 horas.

As principais paradas do tour são: Museu Sisa Hartaku, onde pode-se ver um pouco da destruição causada pelo vulcão em objetos danificados, como uma moto, móveis e até o esqueleto de um boi; Bunker Kaliadem, um abrigo construído para proteção dos que ficaram pra trás; e Alien Rock, uma pedra gigantesca que foi lançada a quilômetros de distância quando o vulcão entrou em erupção.

Para visitar o Monte Merapi é preciso fechar um tour, já que o acesso só é possível com um jeep.

5. Conhecer o Ratu Boko Palace

Embora alguns se refiram a ele como um Templo, na verdade o Kraton Ratu Boko são ruínas de um palácio onde a Família Real Javanesa já residiu um dia. Construído no século 8, o palácio tem várias referências hindus e budistas. São 3 templos e algumas cavernas onde monges costumavam meditar. Há também uns lagos, e as pessoas acreditam que aquela água tem poder de cura. Outra coisa que chama atenção são os dois portões de entrada.

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Foto: Prayudi Hartono / CC BY 2.0

Há também um restaurante ali, que pode ser uma boa pedida pra sentar e dar uma relaxada para esperar o pôr do sol, se você tiver tempo disponível.

A entrada custa 325 mil rúpias, o que achamos bem carinho considerando ser o mesmo preço das duas outras atrações. Dá também pra comprar um ingresso duplo, juntando o Ratu Boko com um desses templos (Borobudur ou Prambanan), e o valor fica 520 mil rúpias.

6. Barganhar na Malioboro Street

Quer comprar lembrancinhas de sua viagem pela Indonésia? Aqui é um ótimo lugar! Essa região serve de centro comercial de Yogyakarta desde a era colonial. Você vai encontrar blusas e bolsas feitas do tradicional batik, além de objetos de decoração e aquelas bugigangas que todo turista gosta.

Tem muita loja e muito vendedor de rua, e pelo caminho você vai encontrar muitas barraquinhas de comida. Não deixe de barganhar, pois às vezes dá pra levar o produto pela metade do preço original.

Nós ficamos hospedados no Sakanti Malioboro Hotel, que ficava super bem localizado e bem ali do ladinho. Nossa programação à noite era dar uma passeada pela Malioboro Street e pelas ruas ao redor. A melhor forma de explorar essa área é à pé, mas se você quiser pode chamar um becak, que é um triciclo-taxi.

7. Assistir ao Ramayana Ballet

Para quem quer ter uma experiência cultural em Yogyakarta, esse show é imperdível. Um ballet cheio de cores, vários dançarinos e músicos dando vida a esse espetáculo lindo.

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Apresentação do Ramayana Ballet
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Apresentação do Ramayana Ballet

Pensei que ia ser um programa turistão daqueles bobos. Sim, é turistão, mas vale demais! A apresentação acontece todos os dias, podendo ser em uma área externa ou interna (dependendo da época do ano). A apresentação do lado externo tem o Templo Prambanan ao fundo, que fica iluminado e lindo à noite. Mas adivinha só: no dia que fomos, começou a chover minutos antes do show, que acabou atrasando e rolando na área interna.

Na entrada, você pega um folheto explicando mais sobre a história do ballet, que é baseado na história do Rei Rama. Originalmente da Índia, a história se adaptou à cultura, ao estilo e à musica javanesa.

O show costuma começar às 19h30, mas o horário pode mudar dependendo se o show vai rolar na área interna ou externa. O ingresso do show custou 200 mil rúpias e pode variar de acordo com o setor. Ficamos numa localização boa com o bilhete “primeira classe”.

Há também a possibilidade de jantar no local antes do horário do show. Nós chegamos às 18h, pagamos 130 mil rúpias e encontramos um buffet bem gostoso. Nada de comidas estranhas ou apenas tradicionais, tinha pra todos os gostos. Você pode confirmar preços e horários aqui.

8. Aprender mais sobre a Indonésia no Ullen Sentalu Museum

Esse é considerado o melhor museu da Indonésia, segundo a Lonely Planet. Lá você encontra um acervo grande que mostra desde o Reino Mataram (século 8), um dos reinos mais poderosos da Indonésia quando o Templo Borobudur foi construído, até os templos de hoje.

Esse museu estava na nossa lista, mas infelizmente não tivemos tempo de visitá-lo. Mas li bastante sobre ele e aqui vão algumas informações: O museu oferece um guia, que acompanha o visitante em um tour pelo museu. Você vai aprender mais sobre a história do batik, além de ver muitos móveis, pinturas e obras de arte. Ao final, é servido um chá no jardim que fica na área externa do museu.

O Museu Ullen Sentalu fica aberto das 8h30 às 16h, ou até às 17h nos fins de semana (fechado às segundas). O ingresso custa 25 mil rúpias (quase 4 dólares).

9. Conhecer o Taman Sari e o Kraton

O Taman Sari, também conhecido como “Castelo das Águas”, é um belo exemplar da arquitetura do século 18, em estilo europeu. O Taman Sari era o jardim do sultanato de Yogyakarta. Sem dúvidas o que mais chama atenção aqui são as piscinas que ficam no vão central, mas tem mais coisa pra ver ali além disso. O lugar servia como área de descanso, de estudos, de meditação e até esconderijo.

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Piscinas do Taman Sari

Alguns corredores dão acesso à torre do castelo, de onde se tem uma bela vista. Passando pela entrada principal (chamada Gapura Agung), é possível descer e visitar umas catacumbas subterrâneas, que já serviram de bunker durante a guerra.

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Escadas da Sumur Gumuling

Lá embaixo também encontramos a grande mesquita Sumur Gumuling. Tivemos uma certa dificuldade em achá-la, mas os guias de lá são super atenciosos e nos direcionaram. É só pedir informação.

Ali perto também fica o Kraton, Palácio do Sultão. Aparentemente o lugar é simples, mas também fechamos um guia que nos contou a história super interessante do lugar. O Sultão e sua família vivem ali, mas uma área do Kraton é aberta ao público. Aprendemos mais sobre as cerimônias que acontecem ali, além de diversas histórias do Sultão e de Yogyakarta.

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Pátio Principal do Kraton

10. Aprender mais sobre o Batik

Uma das artes mais originais e simbólicas da Indonésia, o batik é feito através de um processo manual envolvendo tecido, cera quente, tintas e tjanting, uma ferramenta de metal utilizada para fazer o desenho.

Não vai demorar muito para você notar que o batik está em todos os lugares da Indonésia, sendo muito usado pelo povo e estando presente em diversas lembrancinhas de viagem.

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A Arte do Batik

Em Yogyakarta há o Museu Batik, com uma coleção de batiks de diferentes estilos e regiões. Tanto lá como em outros lugares de Yogya você poderá fazer um workshop e criar seu próprio batik, ou melhor, de tentar criar, porque a técnica exige muita experiência! Nós não visitamos o Museu, mas o guia que nos acompanhou no Kraton nos levou a uma oficina que tinha ali perto. Esse guia era professor de Batik há mais de 30 anos e nos deu belas demonstrações da técnica.

Dica extra: Passear pela floresta em Pinus Pengger

Um destino que não é fácil de encontrar nos roteiros turísticos, mas que faz sucesso entre os indonésios e vale a visita se você quiser curtir a natureza. Pinus Pengger é um parque bem gostoso e com muito verde, e com uma estrutura que certamente vai te render boas fotos.

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Nosso motorista não sabia exatamente onde ficava e acabamos parando em 2 parques pelo caminho, que também eram super agradáveis e bonitinhos. Do centro de Yogyakarta até lá levamos cerca de 1 hora de carro, e pelo caminho pudemos ir observando mais da vida local e do dia a dia desse povo querido. Valeu o passeio!

Onde ficar em Yogyakarta

Agora que você já viu o que fazer em Yogyakarta, lá vai nossa dica de onde se hospedar. Aliás, foi aqui que encontramos a melhor relação custo x benefício de hotel dos últimos tempos!

Ficamos no Sakanti Malioboro Hotel, que era muito bem localizado, do lado da rua principal chamada Malioboro, cheia de comércios. Ficava do lado também da estação de trem, que foi um belo adianto pra gente, pois seguimos nossa viagem de trem Surabaya onde alugamos um carro para ir aos vulcões Bromo e Ijen.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Mas o melhor do hotel era o conforto: um quarto gostoso, uma piscina deliciosa pra refrescar no fim do dia, um café da manhã bem honesto e o pessoal mais simpático de Yogyakarta trabalhando lá. Tudo isso por 250 mil rúpias, ou menos de 20 dólares!

Como se locomover por Yogyakarta

Nós éramos 4 pessoas e, nesse caso, quase sempre é melhor alugar um carro e dividir os custos. Pesquisamos um pouco e vimos que alugar um carro com motorista era praticamente o mesmo valor. Acabamos fechando nesse site, e nosso motorista foi muito querido, simpatia pura.

Para distâncias curtas, você pode pegar um becak (triciclo). Os taxis funcionam bem (rola aquela confusão de taxistas em cima de você na chegada do aeroporto, mas tudo bem), e para alguns lugares também é possível ir de ônibus, como para o Templo Prambanan por exemplo.

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