Atualizado em 22 de abril de 2017.

Alguns destinos exigem mais do viajante do que simplesmente um passaporte: dependendo do país, é necessário incluir medidas de prevenção da malária no seu planejamento. Descobriu que sua próxima viagem será para uma zona de risco de malária e não sabe o que fazer?

Isso aconteceu com a gente. Antes de passarmos 4 meses na África, tivemos que aprender tudo sobre malária, já que passaríamos por áreas com alta incidência da doença. Infelizmente, não existe nenhum método preventivo 100% eficaz, mas há algumas formas de se proteger. Veja aqui todas as informações necessárias sobre malária e faça uma viagem mais tranquila.

Veja também: Medicina do Viajante – saiba mais e viaje com segurança

O que você precisa saber sobre prevenção da malária

O que é a Malária

A Malária é uma doença grave e potencialmente fatal. Transmitida por mosquitos, a malária é causada por 5 tipos de parasita diferentes, que se multiplicam no fígado e, posteriormente, no sangue. Não há vacina para a doença e nenhum método preventivo é 100% eficaz.

Áreas de risco

A malária está presente em regiões tropicais e subtropicais, atingindo mais de 100 países entre o Sudeste Asiático, Centro e Sul da África e América do Sul. Existem surtos que variam de intensidade e duração, o que faz as chamadas “zonas de perigo” sofrerem algumas alterações.

É sempre importante verificar se o país que você irá visitar se encontra na zona de risco.

Alguns mapas como esse abaixo sinalizam o grau de incidência da doença de acordo com a região:

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Fonte: BBC News

Sintomas

Os sintomas da malária mais comuns incluem:

  • Febre
  • Calafrio, sudorese, tremores
  • Dores musculares e articulares fortes
  • Dores de cabeça
  • Fraqueza
  • Alterações gastrointestinais: enjoos, vômitos e diarreia

Os sintomas podem se manifestar a qualquer momento após a picada. Na maioria das vezes demoram até quinze dias pra aparecer, mas em alguns casos podem levar até 4 semanas.

Diagnóstico

O grande perigo é de justamente conseguir reconhecer os sintomas iniciais da malária, já que muitos se assemelham ao de uma gripe. Se o tratamento não for iniciado imediatamente, aumenta-se potencialmente os riscos de danos sérios ao fígado e até de ser fatal.

Portanto, ao se desenvolver qualquer um dos sintomas durante a viagem, ou mesmo alguns meses após o retorno, busque atendimento médico imediatamente.

Prevenção

Existem medicamentos que podem ser usados tanto no tratamento como na prevenção da doença, porém eles são polêmicos devido aos efeitos colaterais.

Não existe vacina nem prevenção 100% segura para malária.

Nós recomendamos que você procure um atendimento médico especializado, para que ele avalie seu caso e indique (ou não) o uso de remédios. Confira o que escrevemos sobre medicina do viajante, um serviço que testamos e aprovamos.

De uma forma geral, são recomendados basicamente 3 tipos de remédio:

  • Atovaquone + Proguanil (conhecido como Malarone) – Esse é o que causa menos efeitos colaterais em relação aos outros, sendo os mais comuns dores de cabeça e alteração gastrointestinal. Por outro lado, é o mais caro e não está à venda no Brasil. A dose é diária e inicia-se o uso dois dias antes de iniciar a viagem e se estende por uma semana após o retorno
  • Mefloquina – Esse comprimido deve ser tomado apenas uma vez por semana, iniciando três semanas antes da viagem, até quatro semanas depois de voltar. Esse é um dos mais polêmicos pois está mais propenso a causar efeitos colaterais. Os principais podem incluir ansiedade, insônia, ataques de pânico e alucinações, entre outros. Apesar disso, muitos fazem uso do medicamento sem o menor problema, e ele é recomendado por muitos médicos. É preciso fazer um teste com o remédio pelo menos um mês antes de iniciar a viagem. Ele não está à venda no Brasil, mas é possível consegui-lo através de uma consulta ao médico do viajante.
  • Doxiciclina – A dose desse medicamento é diária, iniciando dois dias antes da viagem e continuando até um mês depois do retorno. Esse é o mais popular devido ao preço acessível e aos efeitos colaterais não tão graves, que podem incluir hipersensibilidade ao sol e alterações gastrointestinais. Esse medicamento é vendido no Brasil e deve ser comprado com receita médica, pois é um antibiótico.

Outras formas de prevenir a malária

A doença é transmitida por um mosquito, então independente de se adotar o uso de remédios, outras medidas podem e devem ser adotadas para prevenir a picada dos insetos:

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O uso de mosqueteiros é indicado em lugares de alto risco da malária. Foto: missy / CC BY
  • Uso regular de repelente. A indicação médica é para repelentes à base de DEET ou licaridina (concentração acima de 30% para adultos e de até 10% para crianças).
  • Uso de roupas apropriadas que protejam o corpo, como calças, sapatos e mangas compridas. É indicado também o uso de roupas claras, já que as cores escuras atraem os insetos.
  • Uso de mosqueteiros, tela de proteção e/ou ar condicionado sempre que possível.
  • Reforçar as medidas preventivas acima ao amanhecer e ao anoitecer, pois nesses horários os mosquitos estão mais ativos.

Tomar ou não o remédio?

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Avalie com o médico a necessidade de tomar medicamentos. Foto: CMuffins / CC BY

A decisão de tomar ou não ou remédio deve ser feita pelo viajante junto ao médico, que entre outros pontos irá considerar:

  • Você está viajando para uma área de risco?
  • Caso afirmativo, o risco de contrair a doença é alto ou baixo?
  • Caso o risco seja alto, quanto tempo você irá permanecer em áreas de alto risco?
  • Você é um viajante que se encontra em um grupo de alto risco (trabalho voluntário, irá permanecer em zonas rurais, etc)
  • Qual seu quadro clínico: idade, alergias, condições físicas, histórico de doenças, uso de outros medicamentos, etc

Nosso relato

Nós passamos 2 meses em área de risco alta, como Namíbia, Botswana, Zimbábue e Moçambique.

Antes de deixarmos o Brasil, fomos a uma consulta com o médico do viajante. Fizemos um teste com o uso do medicamento Mefloquina, que a médica nos disponibilizou. E adivinha? Tivemos efeitos colaterais.

O Caio teve crises de ansiedade e alteração de sono, enquanto eu tive oscilações de humor e uns sonhos bem esquisitos. Isso foge bem do nosso perfil, ficando claro para a médica que se tratava de efeitos colaterais. Não insistimos na tentativa com a Mefloquina e partimos então para Doxiciclina.

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Foto: Kenn Doer / CC BY

Assim que entramos na zona de risco, adotamos as medidas preventivas que estavam ao nosso alcance, principalmente o uso reforçado de repelentes. Não tivemos ar condicionado e a temperatura batia 40 graus em diversos dias, o que tornava um castigo o uso de mosqueteiros e roupa comprida.

Não teve jeito, fomos devorados pelos mosquitos mas felizmente não contraímos a doença.

Porém, o risco da doença saltava aos nossos olhos. Em Moçambique por exemplo, ficamos em uma área remota e conhecemos muitas pessoas locais. Absolutamente todas já tiveram malária. Dois vizinhos (casa ao lado da nossa mesmo) foram diagnosticados com malária enquanto estávamos lá. Conhecemos uma pessoa que teve malária 18 vezes (!!!). E sempre que passávamos pelo posto de saúde, ele estava cheio.

Conclusão: felizmente, saímos ilesos da malária! Tentamos nos proteger de todas as formas e deu certo. Conhecemos alguns viajantes que optaram por não tomar medicamentos, mas nós tomamos e tomaremos novamente se retornarmos para uma área de risco.

Faça uma viagem segura

Além de todas as dicas que demos para prevenção de malária, é imprescindível que você faça um seguro viagem antes de embarcar para alguma zona de risco. Escolha um seguro com a melhor cobertura de acordo com suas necessidades e garanta uma viagem sem maiores problemas. Sugerimos conferir as opções e comparar preços pela Segurospromo. E utilizando o nosso código EMALGUMLUGAR5 você ainda ganha 5% de desconto.

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E se você quiser mais dicas para planejar sua próxima viagem, confira esses posts:

Vai viajar para uma área de risco? Previna-se contra a malária e aproveite sua viagem!

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4 COMENTÁRIOS

    • Oi Isabela,
      felizmente não tivemos nenhum efeito colateral com esse remédio. Porém cada organismo reage de forma diferente, por isso é importante consultar um médico e deixar que ele faça uma avaliação.
      Um abraço!

  1. Estou indo para Tete, Moçambique para ficar por 2 semanas em outubro e estou apreensivo em tomar a mefloquina. Após seu relato acredito que me darei melhor com a Doxiciclina. Não há nada pior que efeitos colaterais que afetem a mente!

    • Exato Pedro, nada pior! Por isso é recomendável testar os medicamentos antes da viagem, para não ter nenhuma surpresa desagradável. Boa viagem pra você!

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