Vai viajar para o Myanmar e ainda não sabe se deve incluir Mandalay no roteiro? Vem com a gente nesse post, vamos mostrar tudo o que vimos por lá e dar todas as dicas sobre o que fazer em Mandalay, incluindo as principais atrações dessa cidade encantadora da Terra Dourada.

Mandalay atualmente é uma cidade culturalmente vibrante, de grande importância econômica e comercial, e que não para de crescer – ainda mais após o boom da abertura e o consequente aumento do fluxo de turistas no país.

Prepare-se para comer muita poeira pelas ruas. Mas por trás de tanto pó você irá encontrar charmosos prédios coloniais, templos incríveis, artesanatos de cair o queixo e atrações ainda menos turísticas, que nos mostraram um pouco mais da realidade local – e fizeram valer nossa decisão de incluir Mandalay em nosso itinerário.

Já escrevemos aqui no blog sobre outros destinos do Myanmar como Yangon e Bagan. Chegou a hora de você conferir o que fazer em Mandalay e preparar sua viagem.

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Alms Giving: monges recolhem doações todos os dias pelos templos de Mandalay

Saiba mais sobre Mandalay

Localizada no centro do Myanmar, às margens do Rio Irrawaddy, Mandalay foi a capital do último reino independente birmanês, entre 1861 e 1885. A partir daí, acabou sendo exilada da história pelos britânicos e adormecida por um bom tempo. Até que, devido a sua importância comercial – interligando as regiões do país – Mandalay voltou a se expandir.

Hoje em dia, Mandalay é uma grande cidade do país, com mais de 1 milhão de habitantes. Para os visitantes, as principais atrações de Mandalay são ver de perto a realidade do país, a crença de seu povo e a fabricação das manufaturas locais de forma artesanal.

Apesar de ser um centro da cultura birmanesa, a influência chinesa no local tem sua importância, devido à forte e crescente imigração da província de Yunnan para o país, o que acaba deixando visível esta mescla cultural.

Antes de Mandalay, vários outros lugares nos arredores serviram como capitais do reino birmanês. Atualmente Mandalay é uma ótima cidade base para conhecer outras atrações do interior do país.

Confira: COMO TIRAR O VISTO PARA O MYANMAR: PASSO A PASSO

Onde ficar em Mandalay

A oferta de hotéis bons e baratos em Mandalay é limitada. Se comparada com outras cidades do sudeste asiático, espere pagar um pouco a mais para uma boa estadia. Sendo assim, vamos dar duas ótimas dicas para você escolher onde se hospedar em Mandalay:

Kaung Myint Hotel é um hotel bem novo, de 2016. Os quartos são impecáveis, com ar condicionado e chuveiro quente, com direitão a roupão e tudo! Chá e café, além de um fribogar e um minibar. A decoração é simples mas o atendimento e o conforto são na medida certa. E ainda tem várias opções ocidentais no café da manhã. A partir de R$90.

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Kaung Myint Hotel. Foto: divulgação

Uma das melhores opções dentro de sua faixa de preço é o Ayarwaddy River View Hotel. Ele fica um pouco afastado do centro, mas isso é compensado pela vista incrível que se tem do Rio Ayeyarwaddy. Com diárias por volta de R$180, ainda tem uma boa piscina, não muito comum de se achar por aqui. Há um restaurante no térreo, onde é servido o café da manhã. Mas a melhor pedida é subir no rooftop bar para curtir um belo pôr do sol, antes de sair pro jantar.

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Ayarwaddy River View Hotel. Foto: divulgação

O que fazer em Mandalay 

Mandalay Hill

É do alto de Mandalay Hill que podemos apreciar uma vista livre e plana dos arredores. Começar o passeio por aqui é uma boa pedida. Dirija-se ao topo do Mandalay Hill para uma visão panorâmica da cidade, que fica ainda mais bonita no pôr do sol. No cair da tarde, os jovens monges da região aproveitam a visita para treinar o inglês papeando com os turistas que se perdem por ali entre as famílias birmanesas.

Para chegar ao topo da colina você pode se arriscar em um caminhada de cerca de 30 minutos até o alto, ou pegar um táxi ou moto táxi. Se estiver com um motorista, ele certamente te deixará já na entrada da escada rolante, que nos leva até o Pagoda Sutaungpyei, ornado com belas mandalas por todos os lados.

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Pôr do sol visto de Mandalay Hill. Foto: Clay Gilliland
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Passenado pelo Sutaungpyei Pagoda, em Mandalay Hill

Mahamuni Pagoda

Todos os dias milhares de devotos vestidos com suas mais belas roupas vem até o Mahamuni Pagoda, principal templo da cidade. Aqui eles veneram o Buda sentado de Mahamuni, de 6,5 toneladas, que repousa no centro do complexo. Esta, que talvez seja a imagem de maior importância no país, é muito venerada: ela chega a ser deformada  tamanha a quantidade de folhas de ouro coladas sobre ela.

É muito interessante observar as mulheres orando no centro do pavilhão com seus trajes coloridos, enquanto os homens se aproximam da estátua para aplicar as famosas folhas de ouro. As folhas são marteladas uma a uma artesanalmente, como podemos acompanhar nas oficinas da cidade.

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Mahamuni Pagoda. Foto: Paul Arps / CC BY

Diz a lenda que esta estátua é uma das cinco únicas que foram feitas durante a vida terrestre de Siddhartha Gautama, sendo que duas estão no paraíso. Logo só podemos ver apenas três delas nesta vida terrena, esta e outras duas que ficam na Índia.

Depois de anos de folhas de ouro aplicadas pelos devotos do sexo masculino, é bem verdade que a figura do Buda é quase irreconhecível. A exceção fica em seu rosto, preservado pelo cuidado dos monges.

Inclusive, se quiser ver algo especial, madrugue e chegue no templo às 4h30 da manhã, quando os monges lavam o rosto de Buda e escovam os seus dentes, acompanhados pelas rezas dos fieis. Algo bem impressionante.

Mandalay Palace

O Palácio de Mya Nan San Kyaw, mais conhecido como Mandalay Palace, é o principal símbolo de Mandalay. Localizado no coração da cidade, ele ocupa uma área enorme delimitada pelos fossos que o circundam.

Construído em 1857, o Mandalay Palace foi a residência real dos últimos dois reis da monarquia birmanesa. Até quem em 1885 a Família Real foi capturada e deposta. Durante a Segunda Guerra Mundial, grande parte do palácio foi destruída. Felizmente podemos visitar sua versão restaurada, na década de 1990. Não deixe de ver a sala do trono, a torre do relógio e o pequeno museu de cultura.

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Mandalay Palace. Foto: Wagaung

Se estiver hospedado na região central da cidade, provavelmente você poderá vir até aqui a pé, ou se preferir, tome um táxi. Sua entrada principal fica na Rua 19 e será necessário o ticket “combo”, da Zona Arqueológica de Mandalay, que custa 10.000 kyats e é válido por uma semana, cobrindo grande parte das atrações de Mandalay. Este inclusive é um dos únicos pontos de venda do ingresso, que também pode ser adquirido no Shwenandaw Kyaung e em Amarapura.

Mosteiro Shwenandaw

 O Mosteiro de Shwenandaw, também conhecido como Palácio de Ouro ou Mosteiro de Ouro, é um lindo mosteiro esculpido em madeira de teca. O mosteiro, que era originalmente parte do Palácio Real em Amarapura, foi remontado em Mandalay, com a transferência da capital.

Isto mesmo, ele foi retirado e reconstruído em 1857, para ser a residência do Rei Mindon. Apenas após a sua morte que o local foi transformado no mosteiro em 1878, mantendo-se em funcionamento até os dias atuais. 

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Shwenandaw Kyaung. Foto: Terry Feuerborn / CC BY-NC

Mosteiro Shwe In Bin Kyaung

Se você quer conhecer um local para meditação em Mandalay, não existe melhor lugar do que este belo mosteiro de teca. Construído em 1895 por mercadores chineses de jade, seu interior reflete uma paz enorme, em uma majestade escurecida pelo tempo. Aproveite para conversar com os monges, que adoram treinar o inglês com os turistas e apresentar um pouco de suas realidades.

Sandamuni Pagoda

O destaque do Sandamuni Pagoda, construído em 1802, é o enorme Buda de ferro que repousa em seu interior. Além disso, sua estupa central dourada, rodeada por estupas brancas menores, faz deste templo um belíssimo cenário fotográfico. Vale à pena a visita, sobretudo por estar perto de várias outras atrações da cidade.

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Sandamuni Pagoda. Foto: Anandajoti

Kuthodaw Pagoda

Conhecido por ser o maior livro do mundo, este templo budista possui 729 estupas, cada uma com escrituras de Tipitaka inscritas em mármore, compondo a obra. Diz-se que demora mais de um ano para ler o livro todo, dedicando-se 8 horas por dia ao estudo – deve ser mesmo o maior livro do mundo, né?

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Kuthodaw Pagoda. Foto: Yarzaryeni

Passeios nos arredores de Mandalay

Como mencionamos, várias outras pequenas cidades ao redor de Mandalay foram também capitais do reino birmanês em diferentes épocas de sua história. Assim sendo, tem muito o que se ver tendo Mandalay como base e hospedagem.

Caso você já tenha comprado o ticket da Zona Arqueológica de Mandalay, não se esqueça de levá-lo, pois pode ser que você precise mostrá-lo em alguns dos lugares nos arredores de Mandalay.

Caso ainda não tenha comprado, não se preocupe: vai ter uma bilheteria nos locais necessários. O valor é 10.000 kyats e vale por uma semana. Abrange todos os locais históricos de Mandalay, Amarapura, Inwa, Pinya e Paleik.

Os bate e voltas pelos arredores de Mandalay que mais valem a pena e que conferimos foram:

Amarapura

Amarapura, cujo nome significa cidade da imortalidade, foi a penúltima capital real do Myanmar, de 1783 a 1857, ficando à poucos quilômetros de Mandalay. Na verdade, a transferência da capital se deu em respeito à uma profecia budista, tendo sido grande parte das construções reais, literalmente, desmontadas e remontadas em Mandalay.

As estradas amplas e as torres tortuosas fazem com que a Amarapura seja um bate e volta muito agradável, neste que apesar de, atualmente, ser um distrito subúrbio de Mandalay, não deixa de ser uma vila muito charmosa, famosa pela tecelagem de seda.

Mas a atração principal é sua famosa ponte U-Bein, considerada a maior ponde de tábuas do mundo. A ponte,  que tem quase 200 anos de idade e 1.2 km de comprimento, foi construída com madeira recuperada do antigo palácio real de Ava, que fica em Inwa, sendo uma passarela emblemática, atravessando o extenso Lago Taung Tha Man.

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Ponte U-Bein em Amarapura

Aprecie o fluxo de pessoas atravessando a ponte, os barcos e os pescadores no lago, compondo uma bela paisagem, que, como sempre, fica ainda mais bonita no pôr do sol, quando o sol cai laranja, refletindo a sombra da ponte nas águas rasas do lago.

Se estiver com tempo, há outros templos e atrações espalhadas por aqui, como o Mosteiro Maha Ganayon, lar de mais de 2 mil monges. Aqui acontece o alms giving, diariamente às 10h30 da manhã: o belo ritual onde monges coletam oferendas – sobretudo frutas e sticky rice – sendo isso a principal refeição dos monges. Seja cauteloso com as fotos e observe os birmaneses, para não cometer nenhuma gafe ou desrespeito.

Ainda em Amarapura, vale conferir também o Taung Min Gyi Pagoda, que foi fundado em 1786 e guarda, em seu interior, uma imagem de Buda de 15 metros de altura. Seu pagoda principal é ornado por várias estupas de formatos diferentes. 

Inwa

Inwa foi a Capital Real por mais de 360 anos. Até o século XIX, Myanmar e o então dominante reino birmanês, eram conhecidos perante o mundo ocidental como “Reino de Ava” grafia dada à cidade pelos navegadores e comerciantes portugueses que também exploraram a região num passado mais distante. Mas na verdade, a pronúncia birmanesa de Inwa assemelha-se mais a awa.

As principais atrações de Inwa são o Yandana Sinme Pagoda e o mosteiro Maha Aung Mye Bon San, também conhecido como mosteiro de tijolos. O mosteiro, construído em 1822, é um exemplo da bela arquitetura da dinastia Konbaung (do século XIX). Seu grande diferencial é em não ser de madeira, como a grande maioria dos monastérios que vimos em Mandalay. Confira também a torre de observação do antigo palácio de Inwa, que manteve-se em pé ao longo da história, superando até mesmos fortes tremores.

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Inwa. Foto: Go-Myanmar

Para chegar na cidade é preciso atravessar de barco o rio Myitnge. Os ingressos para a passagem custam 1000 kyats por pessoa, ida e volta. Do outro lado, prepare-se para uma multidão de motoristas de charretes te oferecendo passeios. Bom lembrar que, para nós, o turismo não deve nunca fomentar com exploração animal.

Mingun

Localizada a poucos quilômetros ao nordeste de Mandalay, Mingun é famosa pelas belas ruínas do templo Mingun Pahtodawgyi, cuja construção data de 1790; e pelo belo e marcante templo branco de Hsinbyume ou Myatheindan Pagoda, que fica a poucas centenas de metros da primeira atração.

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Templo Hsinbyume, em Mingun

Aproveite também para conhecer o Mingun Pagoda: uma estupa gigantesca que começou a ser construída em 1790, mas que foi interrompida em 1819 com a morte do então Rei. A obra acabada teria 150 metros e seria a maior estupa do mundo.

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Mingun Pagoda

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Como chegar em Amarapura, Inwa e Mingun

A melhor maneira para fazer estes bate-voltas é contratando os serviços de um motorista local em sua hospedagem. Depender exclusivamente do transporte público por aqui pode ser um pouco complicado, principalmente nestes deslocamentos maiores. As diárias saem por menos de 30 USD, que podem ser divididos por seu grupo, valendo à pena pra todo mundo.

Como chegar e circular em Mandalay

Como chegar em Mandalay

A maneira mais fácil de chegar em Mandalay é através de um dos voos domésticos que chegam no aeroporto Chanmyathazi. Apesar de pequeno, é o maior e mais moderno aeroporto do país. Várias das low budguets asiáticas como a Air Asia, Lion Air e Myanmar International tem voos diários para lá, partindo principalmente de Bangkok, Kuala Lumpur e Singapura.

Como circular em Mandalay 

Se você está hospedado na região central de Mandalay, próximo ao Mandalay Palace – onde existem algumas dezenas de pequenos hotéis antigos e honestos – certamente poderá conhecer grande parte das atrações da cidade à pé ou alugando uma bicicleta, ou ainda de táxi.

Como já mencionamos, para os bate-voltas nos arredores de Mandalay, recomendamos contratar um motorista, e sua hospedagem certamente irá te ajudar com isso. Estes normalmente não são guias, mas sabem todos os horários de funcionamento, preços e falam um pouquinho de inglês, sendo fácil fazer amizade.

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Alguns dos “táxis” que achamos disponível nos arredores de Mandalay

Dicas de Mandalay: não se esqueça do seguro viagem

Tudo correu bem durante nossa viagem pelo Myanmar, mas te garanto que sua viagem vai ser muito mais tranquila se você fechar um seguro viagem, e não ter que se preocupar caso aconteça alguma coisa. Nossa recomendação é sempre comparar os valores de seguro viagem pela Segurospromo., e escolher aquele que atende suas necessidades. Aproveite para usar nosso código EMALGUMLUGAR5 e ganhar 5% de desconto.

Mas afinal, vale à pena conhecer Mandalay?

Nossa resposta é certeira e afirmativa: foi em Mandalay que demos de cara com aquelas verdades que nós sempre buscamos como viajantes, que querem ir além dos pontos turísticos. Vimos muita pobreza e sujeira, ao mesmo tempo que vimos rostos sorridentes apesar de todo peso da realidade que vivem.

Parece que eles ainda não estão acostumados com o ocidente que bate à sua porta. Por outro lado, parece que também não estamos acostumados a ver uma realidade diferente da nossa… e isso torna a experiência ainda mais enriquecedora.

Não espere cenários paradisíacos, facilidades, comodidades ou nada parecido. Entretanto, há muito o que fazer em Mandalay para valer uma rápida parada na cidade. Não nos arrependemos de passar alguns dias por aqui, entendendo um pouco mais da cultura birmanesa. Mandalay foi uma agradável surpresa para nós, que estávamos abertos ao inesperado.

E você, ficou com vontade de conhecer Mandalay? Conta pra gente!

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32 anos. Carioca. Colecionava carimbos no passaporte durante as férias, mas resolveu levar esse hobbie a sério. Jornalista, trabalhou com marketing por um bom tempo, mas deixou o mundo corporativo para viver uma vida com mais significado. Convenceu o Caio a se jogar no mundo e hoje se dá por satisfeita carregando um caderninho, uma câmera e um tapete de yoga.

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